quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ponte da Mizarela (ponte do diabo)


A Ponte da Mizarela (ponte do diabo) localiza-se sobre o rio Rabagão, a cerca de um quilómetro da sua foz no rio Cávado, na freguesia de Ruivães, concelho de Vieira do Minho, distrito de Braga, em Portugal. Liga as freguesias de Ruivães à de Ferral, no concelho de Montalegre. Está implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado, assente sobre os penedos e com alguma altitude em relação ao leito do rio, sendo sustentada por um único arco com cerca de 13 metros de vão.
Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde de 30 de novembro de 1993.








A lenda da ponte da Mizarela:

Reza sobre ela, a seguinte lenda:

"Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao Diabo, se disfarçou em salteador perseguido pelas justiças de Montalegre, e foi certo dia, à meia-noite, àquele lugar para passar o rio. Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do Inimigo. Ouve-se um rumor subterrâneo e eis que aparece, afável e chamejante, o anjo rebelde:

- "Que queres de mim?" - perguntou ele.

- "Passa-me para o outro lado e dar-te-ei a minha alma."

Santanás, que antegozava já a perdição do sacerdote, estendeu-lhe um pedaço de pergaminho garatujado e uma pena molhada em saliva negra, dizendo:

- "Assina!".

O padre assinou. O Demo fez um gesto cabalístico e uma ponte saiu do seio horrendo das trevas.

O clérigo passa e, enquanto o diabo esfrega um olho, saca da caldeirinha da água benta, que escondera debaixo da capa de burel, e asparge com ela a infernal alvenaria, fazendo o sinal da cruz e pronunciando bem vincadas as palavras do exorcismo.

Santanás, logrado, deu um berro bestial e desapareceu num boqueirão aberto na rocha, por onde sairam línguas de fogo, estrondos vulcânicos e fumos pestilenciais. O vulgo das redondezas, na sua ignorância e ingenuidade, e não sabemos a origem, aproveita-se da ponte para ali exercer um rito singular.

Quando uma mulher, decorridos que sejam dezoito meses após o seu enlace matrimonial, não houver concebido, ou, quando pejada, se prevê um parto difícil ou perigoso, não tem mais que ir à Mizarela, à noite, para obter um feliz sucesso. Ali, com o marido e outros familiares, espera que passe o primeiro viandante. Este é então convidado para proceder à cerimónia, a qual consiste no baptismo in ventris do novo ou futuro ser. Para isso, o caminhante colhe, por meio de uma comprida corda com um vaso adaptado a uma das extremidades, um pouco de água do rio e com a mão em concha deita-a no ventre da paciente por um pequeno rasgão aberto no vestuário para este efeito, acompanhando a oração com a seguinte ladaínha:

Eu te baptizo
criatura de Deus,
Pelo poder de Deus,
e da Virgem Maria.
Se for rapaz, será ‘Gervás’;
se for rapariga, será Senhorinha.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
um Padre-Nosso e uma Avé-Maria. "

O barulhar iracundo da cachoeira no abismo imprime a estas cenas um cunho de tétrica magia. Segue-se depois uma lauta ceia, assistindo, geralmente, o improvisado padrinho. E o êxito é completo: um neófito virá alegrar a família. Claro que se na primeira noite não passar o viandante desejado, a viagem à Mizarela repetir-se-á até o cerimonial se realizar nas condições devidas.

De um dos lados ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou "Púlpito do Diabo", por crer que o Demo vai ali pregar à meia-noite, quando as bruxas das redondezas se reúnem em magno concílio…
- Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, O mutilado de Ruivães







 


Localização:
Montalegre (Concelho)


N 41º 41' 32,35'' ,W 8º 1' 10,83''
 
 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Praia Fluvial das Rocas





A Praia Fluvial das Rocas é um complexo de lazer, animação e divertimento situado num lago com quase 1 km de extensão, bem no coração de Castanheira de Pêra.

Uma ilha no centro da praia, uma piscina de ondas (a maior do país), uma albufeira e uma ponte secular, constituem um ambiente onde o sonho e a realidade se confundem.

As águas límpidas da Ribeira de Pêra espraiam-se, formando um local de encanto onde palmeiras tropicais convivem harmoniosamente com a Serra da Lousã que espreita lá do alto.

Pode ainda desfrutar de um passeio em barco a remos ou em gaivota e pernoitar num dos veleiros atracados na marina, deixando-se embalar pelo suave balouçar da corrente fluvial, ou num dos bungalows perfilados na margem da albufeira, com vista privilegiada sobre o enorme espelho de água.











Localização:
Castanheira de Pêra
Lat.: 40° 0' 17.28" N
Long.: 8° 12' 28.404" W

Serviços:


Rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida, chuveiros, balneários, restaurante e bar com esplanada, wc, piscina de ondas, zona relvada, posto de primeiros socorros, estacionamento, gaivotas e barcos a remos, chapéus de sol e espreguiçadeiras.



Acessos Rodoviários:

- De Norte pela A1: sair em Condeixa-a-Nova, apanhar o IC3 no sentido de Tomar. Chegando ao IC8, entrar em direção a Castelo Branco, saindo no nó que indica Castanheira de Pera, 10km depois chegará ao destino.
- De Sul pela A1: sair em Pombal, entrar no IC8 em direção a Castelo Branco até ao nó de Castanheira de Pera, 10km depois chegará ao destino.

Dormir num veleiro

A Praia das Rocas oferece ainda a possibilidade de prolongar a visita e pernoitar no local, quer seja num bungalow, perfilados na margem da albufeira, ou até mesmo num veleiro. O complexo turístico Villapraia dispõe de quatro veleiros equipados e atracados na marina que servem de alojamento para quem quiser passar uma noite sobre a água. Os bungalows podem também ser opção com uma oferta total de 12 quartos duplos





sábado, 14 de outubro de 2017

Os 10 locais em Lisboa onde se podem comer os melhores pasteis de nata!





O pastel de nata é um ex-líbris português que deixa todos de água na boca – por esse mundo fora não é difícil encontrar aquela tentativa de reproduzir uma portuguese custard tart, mas nunca é bem a mesma coisa. O recheio não pode ser demasiado doce, a massa tem de ser estaladiça e pouco gordurosa, e têm de ser tão bons mornos como frios. Parece simples mas requer técnica pasteleira à séria. Embarque numa viagem pelas pastelarias com os melhores pastéis de nata em Lisboa e, depois de experimentar todos, escolha o seu preferido.





Os melhores pastéis de nata em Lisboa podem comer-se simples, com canela ou açúcar em pó, a massa tem de ser crocante e o recheio cremoso. 







Mas venha descobrir onde pode comer os melhores pasteis de nata em Lisboa......







1. Manteigaria

O pastel de nata pode ser uma tradição antiga em Lisboa, mas na Manteigaria pratica-se apenas desde 2014, data de abertura da primeira loja, no Chiado a que juntaram, entretanto, outra no Mercado da Ribeira. Foi um veni, vidi, vici pasteleiro, graças à qualidade indiscutível do produto. E o segredo pode bem estar na massa, como diria um certo italiano: usam uma manteiga própria para a massa folhada, importada de França. Mas o recheio não lhe fica atrás.

Rua do Loreto, 2, Chiado / Mercado da Ribeira, Avenida 24 de Julho, Cais do Sodré






2. Fábrica dos Pastéis de Belém

Primeiro, uma ressalva: os pastéis de nata não são pastéis de Belém, mas os pastéis de Belém são, essencialmente, pastéis de nata. Ligeiramente mais pequenos que a norma, é certo, com uma marca registada e uma receita secreta que terá as suas subtis variações. Receita essa que continua guardada numa sala própria acessível apenas aos mestres pasteleiros e aos donos do negócio. Duas regras essenciais: ignorar a fila do take-away, procurar um lugar sentado e nunca, jamais, deixar os pastéis arrefecer.

Rua de Belém, 84-92, Belém





3. Bairro do Avillez

Pode passar despercebido na vasta oferta do bairro criado por José Avillez, mas merece todo o destaque: uma das sobremesas da Taberna (o espaço mais próximo da entrada) é, precisamente, um irrepreensível pastel de nata, tanto na massa como no recheio, que chega à mesa acompanhado de uma aparente bica. E é aparente, apenas isso, porque se trata, afinal, de um gelado de café, que forma uma combinação vencedora com o pastel.

Rua Nova da Trindade, 18, Chiado









4. Fim de Século

Ganhou fama depois de ter vencido a eleição de Melhor Pastel de Nata no Peixe em Lisboa 2016, uma prova organizada anualmente pelo gastrónomo Virgílio Gomes no âmbito do festival. E ganhou-os (a fama e o concurso) justamente, graças a uma receita que cumpre todos os requisitos e mais alguns: a massa canta ao trincar, não enche, não tem gordura a mais, o recheio é cremoso e tem um sabor harmonioso — doce, sim, mas apenas o suficiente.

Rua João Frederico Ludovice, 28A, Benfica







5. Aloma

O site omelhorpasteldenatadelisboa.com pertence aos responsáveis da Aloma. Soa tão pretensioso como confiante, é uma questão de perspetiva. E, na verdade, interessa pouco saber se é o melhor ou não é — já ganhou esse título e também já o perdeu — interessa é que continua a ser um bom pastel de nata, ou óptimo, até, quando acabado de fazer e provado na Aloma original, a de Campo de Ourique, que tem mais de 70 anos de história.

Rua Francisco Metrass, 67, Campo de Ourique. A Aloma também tem lojas nas Amoreiras e no Aeroporto Humberto Delgado.






6. Confeitaria Nacional

É uma das raras pastelaria-monumento que ainda resistem em Lisboa (a par da Versailles e d'A Brasileira, por exemplo), com interiores trabalhados e um atendimento a despachar, sem grandes mordomias. Vale, essencialmente, por dois produtos: o bolo-rei, na devida época, e o pastel de nata, todos os dias do ano. Segundo os responsáveis, este segue uma receita publicada em 1780 no livro “Cozinheiro Moderno” de Lucas Rigaud, antigo cozinheiro da corte de D. José I e da sua sucessora, D.Maria I.

Praça da Figueira, 18B, Rossio








7. Adega da Bairrada

A Adega da Bairrada não é, como o nome indica, uma pastelaria. É um restaurante tradicional — as recentes obras tiraram-lhe o ar castiço de tasca — onde o receituário nacional é reproduzido com grande fidelidade, dos choquinhos à algarvia ao rancho à moda de Viseu. Mas se a ementa vai mudando diariamente, já o bojudo pastel de nata, que vale sobretudo pelo recheio, nunca sai de cena e é a companhia favorita para o café de muitos clientes de longa data.

Rua Reinaldo Ferreira, 14A, Alvalade






8. Alcôa

Veio ocupar a antiga Casa da Sorte do Chiado, numas longas obras que, à la Santa Engrácia, só terminaram no início deste ano, a tempo de celebrar os 60 anos de vida da casa-mãe, no centro de Alcobaça. A montra da Alcôa lisboeta é uma tentação constante, cheia de criações de inspiração conventual, como as cornucópias ou as divinas gulas. E o pastel de nata não é parente pobre destes — muito pelo contrário, está entre os melhores exemplares da capital.

Rua Garrett, 37-39, Chiado




Foto: Paulo Fer


9. Batalha

É uma das novidades do mês em Lisboa: uma pastelaria que tem feito história e conquistado prémios na Venda do Pinheiro, perto de Loures, e que chegou agora ao Chiado, virada para a Praça Luís de Camões. Entre as receitas que a tornaram famosa, destaque para o pão saloio da Charneca, os pastéis de feijão (que também fazem sem glúten), as queijadas e, claro, os pastéis de nata, que em 2016 lhe valeram o terceiro lugar no concurso anual do Peixe em Lisboa.

Rua da Horta Sêca, 1, Chiado.









10. Pau de Canela

Com o recente encerramento da histórica Biarritz, ficou mais difícil comer bons pastéis de nata em Alvalade. Mais difícil, porém não impossível. A Pau de Canela instalou-se no topo da Avenida da Igreja no início de 2016 e não demorou a conquistar clientela a outras históricas do bairro. O fenómeno deve-se, sobretudo, à portentosa montra de bolos onde pontificam sempre uns pastéis de nata muito razoáveis, de recheio doce, mas sem exageros, e massa crocante.

Avenida da Igreja, 2, Alvalade / Estrada de Benfica, 464



Texto adaptado de: evasoes.pt

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Cacela Velha.... simplesmente deslumbrante!



Uma dezena de quilómetros a leste de Tavira fica a aldeia de Cacela, no topo de uma colina donde se avista o extremo leste da ria Formosa.
 Conquistada pelos cavaleiros de Santiago em 1249, é um povoado de ruas estreitas e casas caiadas, tendo ao fundo uma pequena fortaleza a vigiar a costa, e onde cheira amendoeira e laranjeira.
 Na parede de uma das casas, lê-se o poema de Sophia de Melo Breyner: "As praças-fortes foram conquistadas/ por seu poder e foram sitiadas/ As cidades do mar pela sua riqueza/ Porém Cacela/ Foi desejada só pela beleza".

Para chegar à praia os veraneantes recorrem ao serviço de barqueiros que os transportam numa rápida viagem através da ria.





A Península de Cacela Velha, já dentro da Ria Formosa, fica no fino cordão de areia, a que se acede por barco. É um sítio mágico, porque a dada altura, estamos rodeados de um lado pelo canal da Ria e do outro pelo oceano infinito.







Forte de Cacela Velha

Foi um castelo mouro anterior à Reconquista da Península Ibérica.
No século XVI, já em ruínas, foi reconstruído por ordens de D. João III ou de D. Sebastião. É sabido que este último inspeccionou pessoalmente as obras em 1573.
A fortificação sofreu várias vicissitudes nos séculos seguintes: relatos de 1617 esclarecem que as suas muralhas se encontravam arruinadas do lado da arriba; em 1750 a fortaleza encontrava-se arruinada, tendo ficado quase destruída com o terramoto de 1755.
Do terramoto de 1755 aos nossos dias[editar | editar código-fonte]
A atual estrutura remonta a D. Rodrigo de Noronha, que ordenou a sua reconstrução, prolongando-se os trabalhos de 1770 a 1794.
Ao final do século XIX, em 1897, as dependências do forte foram ocupadas pela Guarda Fiscal (hoje Brigada Fiscal da GNR).
Funcionou no seu interior um radar que se destinava à vigilância do espaço aéreo.
Os seus edifícios, no terrapleno, encontram-se utilizados pela corporação, razão pela qual não é permitida a visitação turística ao monumento.
Do largo fronteiro à fortaleza avista-se, para leste, o troço final da ria Formosa (que se estende até poucas centenas de metros da Manta Rota), a baía de Monte Gordo e, mais longe, já em Espanha, a Ilha Canela e a Ilha Cristina.










Igreja de Nossa Senhora da Assunção



Este antigo tempo tem origem num edifício do Século XIII, do qual conserva um pequeno portal lateral gótico. A Igreja atual data do Século XVI, tendo sofrido uma reconstrução no Século XVIII. Tem um pórtico no estilo Renascença, com os bustos dos apóstolos São Pedro e São Paulo e pilastras decoradas.

O interior é composto por três naves, com arcos e ogivas suportados por colunas com bases e capitéis ornamentados com hemisférios e cordas.O tempo inclui ainda a Capela de Nossa Senhora dos Mártires, com abóboda artesoada e arco de estilo renascença.

Tem uma imagem de Nossa Senhora da Assunção (Séc. XVIII) e dois Cristos (Séc. XVI). O tesouro sacro inclui uma cruz processional em ferro, decorada com figuras.








Cacela Velha
37º 09’ 25,03’’N, 07º 32’ 46,61’’W - VR Santo António
        

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

De 6 a 11 de novembro é possível voar grátis num balão de ar quente no Alentejo



O Festival Internacional Balões de Ar Quente vai regressar ao Alentejo para a sua 21.ª edição, invadindo os céus de Alter do Chão, Fronteira, Monforte e Ponte de Sor. Em prova estarão 30 equipas de pilotos profissionais oriundos de Portugal, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Inglaterra e Luxemburgo.



Quem estiver interessado em viajar gratuitamente com uma das equipas concorrentes, só tem de estar nas tendas dos “meeting points” logo pela manhã (6h30) e ter em conta que as inscrições são limitadas.






















sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A Cerveja em Lisboa: vem aí a 1ª edição da Oktoberfest à portuguesa



O Campo Pequeno recebe a primeira edição da Cerveja em Lisboa que vai juntar muitos copos e canecas a brindarem durante cinco dias.

 A entrada é paga com a aquisição de um copo gravado com o logótipo do evento: copo de imperial (3€) copo com pé (5€) e, para os mais sedentos, estará disponível a tradicional caneca de 0,5 l (5€).

Algumas das marcas que poderá provar: Sagres, Super Bock, Heineken, Mahou San Miguel ou Corona, mas também das artesanais Letra, 2 Corvos, Bolina ou Lx Beer, etc....

As portas abrem diariamente às 16h e encerram às 24h com exceção de Domingo que encerra às 21h








quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Castelo de Vide, conhecida como a "Sintra do Alentejo”


Entre os lugares que fazem do Alentejo sinónimo de história e tradição, está Castelo de Vide, conhecida como a "Sintra do Alentejo”.  designação atribuída a D. Pedro V. Para esta denominação, contribuem os seus jardins, a vegetação luxuriante, o clima aprazível, assim como a proximidade da Serra de S. Mamede. Tudo isto lhe confere um cunho romântico. 

 Comece a sua viagem no tempo, com tempo. Explore a sua arquitectura, aprecie os solares oitocentistas e os jardins, os portais góticos, igrejas e a judiaria.



Pertencente ao concelho de Portalegre, Castelo de Vide terá recebido o primeiro foral em 1180 , concedido por Pedro Anes. Em 1276, nasce o concelho, separando-se de Marvão, mas só em 1310 viria a ganhar notoriedade, quando D. Dinis lhe concedeu foral e iniciou as obras do castelo e das muralhas. Mais tarde, D. Manuel I confirmaria o foral.

Na segunda metade do século XV, instalou-se em Castelo de Vide uma das mais numerosas comunidades judaicas de Portugal, presença ainda hoje assinalada pela judiaria e pela sinagoga, localizadas no velho casco medieval.

No século XVII, durante a Guerra da Restauração, a vila foi guarnecida com os muros e baluartes que ainda hoje a envolvem. À nova estrutura defensiva juntou-se, depois, o Forte de S. Roque, mandado construir em 1710.

Castelo de Vide foi, ao longo da primeira década do século XIX, cenário da guerra que, de forma intermitente, colocou em confronto os exércitos de Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Durante este período, milhares de militares daqueles países instalaram-se na vila e em todo o município.

As tradições são uma marca vincada nas raízes culturais dos castelovidenses. As festividades mais singulares, em particular pelos seus rituais, são as da Páscoa, em que as tradições católicas misturam-se com ritos de influência judaica. Na Sexta-feira Santa, destaca-se a procissão do Enterro do Senhor, no Sábado Aleluia, a bênção dos cordeiros, e, pela noite, o Aleluia. No Domingo de Páscoa celebra-se a procissão da Ressurreição do Senhor. Outras festas, como o Carnaval Trapalhão, o São João e a romaria de Nossa Senhora da Penha têm também uma forte expressão popular.




Casa do Arçário

É de tradição dizer-se que esta casa era do indivíduo que tinha a seu cargo e responsabilidade a arca (caixa forte) e é talvez daí que deriva o termo Arçário.

Na arca guardava as receitas provenientes das cobranças dos impostos que eram feitas aos judeus.

Fica situada no Arçário, dentro da zona da Judiaria.






Igreja de Nossa Senhora da Alegria

A igreja de N. S. da Alegria, fica situada no Burgo Medieval (Castelo) e foi ali construída no séc. XVII. O conjunto é composto por dois volumes: nave e capela-mor (estilo barroco) com sacristia, que fica ao lado. Todo o conjunto é pavimentado com tijolo, os materiais de alvenaria de pedra e cal rebocada e caiada de branco pelo exterior e revestida por azulejos policromos no interior da nave e capela-mor. A Igreja é coberta por uma telha portuguesa tipo mourisco.

A porta principal ladeada por duas janelas, voltada a Norte, é de grandes dimensões e a sua moldura é construída em pedra de granito de grão fino, na mesma prumada. Em cimo da porta há um nicho com a imagem de N. S. da Alegria em porcelana. Este é revestido de azulejo policromo, com a mesma largura da porta principal, formando com ela um conjunto harmonioso. Este termina com uma cruz do mesmo material na parte superior.



O povoamento do território do concelho de Castelo de Vide é bastante remoto. Há diversos sítios e monumentos arqueológicos a comprová-lo. A grande quantidade de elementos megalíticos existente atesta o desenvolvimento de comunidades locais e regionais durante os períodos Neolítico e Calcolítico. Foram também encontrados materiais que confirmam a presença do homem no período Paleolítico e, mais tarde, a ocupação romana e medieval.





Portas Ogivais

MEDIEVAL
Séc.s XIV e XV

Castelo de Vide apresenta um dos mais importantes e interessantes  conjuntos de portas ogivais actualmente existentes no País. Datando dos séc.s XIV e XV o seu número total é de sessenta e três. Essas portas encontram-se em muitas das ruas, principalmente na parte mais antiga do Centro Histórico, com grande aglomeração na Judiaria e Rua de  Santa Maria de Cima. Se algumas são simples portas ogivais, sem qualquer decoração, muitas apresentam-se decoradas tanto ao nível das  ogivas, como das impostas e ombreiras.
Como elementos decorativos são empregues as esferas, toros e caneluras, conjuntamente com arestas vivas e motivos vegetais. O peixe     aparece numa única porta do séc. XVI (Rua Nova), mas também há   estilizações do Sol e das estrelas (Penedo). 





Judiaria

Leis decretadas por alguns monarcas lusitanos no sentido de se criarem "Ghettos" próprios, onde só vivessem judeus, levou ao aparecimento de bairros, igualmente conhecidos pelo nome de "Judiarias".

Foi no séc XIV, que D. Pedro I aforava a Mestre Lourenço seu físico, provalmente judeu, uma terra em Castelo de Vide, sendo vários os documentos datados do século XV que testemunham a existência da comunidade judaica da vila.

Em Castelo de Vide a Judiaria desenvolveu-se na encosta da vila virada a nascente. Ainda que estabelecido numa das zonas mais acidentadas, o bairro era atravessado por um eixo fundamental de comunicação do castelo com o exterior e vice-versa. Da presença judaica em Castelo de Vide restam alguns testemunhos materiais em que assume especial relevância o edifício onde se julga ter funcionado a Sinagoga Medieval. Outros edifícios da Rua da Judiaria, da Rua da Fonte ou da Ruinha da Judiaria mostram ainda o que resta da tradição milenar judaica de marcar a sua fé nas ombreiras das portas.

O estabelecimento da Inquisição e a publicação do Édito de Expulsão dos judeus dos reinos de Espanha por Fernando e Isabel, os reis católicos, contribuíram para o crescimento da judiaria de Castelo de Vide que mantém na toponímia das suas ruas o testemunho da presença judaica, mas também o da perseguição do Santo Ofício aos cristão-novos.


Sinagoga

De quando a data da sua fundação, não se sabe ao certo, no entanto, já no séc. XIV existia uma judiaria em Castelo de Vide, que era constituída por um conjunto de casas construídas junto à porta principal do castelo.

A Sinagoga está situada na Rua da Judiaria / Rua da Fonte, o edifício orienta-se no sentido Este / Oeste.

Todo o conjunto é constituído por um só volume, com dois pisos.

Vulgarmente chamada "Sinagoga", mas com o nome apropriado de "BEIT-HA - MIDRASCH-SEFARDIN". No compartimento destinado ao culto, no seu interior, tem instalado o tabernáculo, com as respectivas cavidades destinadas às lamparinas dos "Santos Óleos" e ao lado direito desta peça, uma apoiaria as sagradas escrituras, em que na base estão implantadas sete bolas indicadoras dos seis dias em que Deus criou o mundo e do último dia, o sétimo, descanso da obra. No séc. XVIII sofreu obras de adaptação para residência. Foi reconstruída respeitando a traça primitiva em 1972.

Uma porta de acesso ao primeiro piso apresenta uma pequena concavidade que se chama a marca da MEZUZAH, palavra hebraica que significa "ombreira da porta". Esta concavidade destinava-se a guardar um estojo que continha um pequeno pergaminho em que se escreviam algumas das palavras do SHEMA, oração fundamental do culto judaico.

Todos as portas são em ogiva que arranca de impostas com arestas vivas, toros e caneluras.





Fonte da Vila


Classificado como IIP (Imóvel de Interesse Público) desde 1953, é o Ex-Líbris da Vila, constitui um monumento que se destaca entre outros, não só pelo seu valor artístico, como pelo conjunto arquitectónico e urbanístico em que está inserida. Situa-se em pleno Largo Dr. Frederico Laranjo.

Analisando-se a planta de delimitação do bairro judeu de Castelo de Vide, pode concluir-se que a fonte estava integrada no mesmo. Este existiu desde o séc. XIV ao séc. XV. A fonte foi um foco de desenvolvimento radial de ruas que se desenvolveram à sua volta, deduzindo-se que terá sido construída no séc. XVI, no reinado de D. João III, embora também seja provável que a sua construção seja de várias épocas, em que no início terá existido apenas uma nascente, inicialmente transformada numa pequena fonte de água potável, que no séc. XVI foi mandada construir.

A forma do tanque principal é rectangular e delimitado por lajes graníticas dispostas na vertical do qual saem seis colunas de mármore que sustentam uma cobertura piramidal que remata em pinha. Ao centro do tanque ergue-se um corpo discóide com quatro bicas simétricas e sobre este, um outro paralelepípedo, decorado com as Armas de Portugal, as do Concelho e com duas figuras de meninos. Este conjunto é rematado por uma pinha em forma de flor de acanto ou tulipa.

Ao lado possui um outro tanque, rectangular, destinado a animais bestas e cavalares.









Castelo

Feitas e desfeitas as fortificações medievais ao longo do séc. XIII, ao sabor dos interesses senhoriais que quase sempre, brigavam com os interesses da coroa e também com os da população, que preferia ter como senhor o longínquo rei, levanta-se definitivamente o castelo, por iniciativa de D. Dinis, concluindo-se já no reinado de seu filho, Afonso IV, em 1327. Foi assim que Vide passou a Castelo de Vide.

O castelo situa-se no canto S das fortificações medievais, que integram o primitivo burgo, constituindo as suas muralhas o prolongamento das da cerca urbana.

Os muros desenham um polígono ligeiramente trapezoidal que apresenta a Torre de Menagem, de secção rectangular, no ângulo S, e, no tramo NO um cubelo que flanqueava o ângulo N do primitivo pátio.

Desaparecida a antiga muralha do tramo NE do pátio, a que agora o conforma por esse lado corresponde à da antiga barbacã nesse sector, apresentado ainda o poço que aparece desenhado na planta de Duarte D´Armas. Entre este poço e o cubelo que lhe está adjacente, abre-se a antiga porta, de arco quebrado, a dar para a antiga barbacã desse lado, entretanto desaparecida.

A entrada para o castelo faz-se pelo tramo SE, com barbacã, através de porta em arco quebrado que dá acesso a um túnel que desemboca no pátio
A Torre de Menagem, maciça até ao nível do adarve, apresenta uma sala de planta octogonal com aljube cilíndrico descentrado, grandes janelas rectangulares e oito pilares, com base e capitel, de que arrancam as nervuras, de secção rectangular chanfrada, que fecham o tecto em arcos redondos.
A cerca urbana desenha um polígono grosseiramente pentagonal com inflexões da muralha na zona O. As Portas da Vila, desalinhadas e em arcos quebrados, situam-se a SE, dando acesso à Rua Direita. Esta atravessa o velho burgo para sair no tramo oposto pelas Portas de São Pedro, também desalinhadas mas em arcos redondos. Uma rua perpendicular a esta dá acesso a duas portas secundárias, com arcos redondos, que se encontram emparedadas nos tramos SO e NE; este último tramo é flanqueado por dois cubelos.

Os materias básicos visíveis, empregues em todas as fortificações, são a pedra (quartzito e granito), o tijolo, a argamassa de cal e a terra.
A Torre de Menagem apresentou-se esventrada durante muitos anos em resultado da explosão que a mutilou no ano de 1705, quando os espanhóis a ocuparam. Mais tarde com o terramoto de 1755 voltou a sofrer danos.
Após várias intervenções, as obras de reconstrução da torre, foram dadas como concluídas em 1978.

Está protegido como Monumento Nacional desde o Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910.












Feiras, Romarias e Mercados

Mercados Municipais

Mercados Semanais - 1.ª, 2,ª e 3.ª Sexta-feira de cada mês
Mercado Franco - última Sexta-feira de cada mês
Mercado Póvoa e Meadas - Quartas-Feiras e Domingos

Feiras e Romarias


15 de Janeiro - Feira de Santo Amaro - Religiosa
Fevereiro/Março - Carnaval Trapalhão - Popular
19 de Março - Romaria de São José - Religiosa
Abril - Feira de Ramos - Religiosa
Março/Abril - Sexta-Feira Santa - Semana Santa - Religiosa
Março/Abril - Sábado de Aleluia - Semana Santa - Religiosa
Março/Abril - Domingo de Páscoa - Semana Santa - Religiosa
Março/Abril - Feira do Livro - Semana Santa - Cultural
Março/Abril - Feriado Municipal / Romaria de Nª Srª da Luz - 2ª feira após o Domingo de Páscoa - Religiosa
Maio/Junho - Romaria de Nª Srª da Alegria (último Domingo de Maio ou primeiro Domingo de Junho) - Popular / Religiosa
13 Junho - Festa de Santo António da Ribeira - Popular / Religiosa
24 Junho - Festa de S. João Batista - Popular / Religiosa
29 Junho - Festa de S. Pedro - Popular / Religiosa
Julho - Festa de Nª Srª do Carmo (domingo mais próximo do 16 de Julho) - Religiosa *
Agosto - Romaria à Nª Srª da Penha (domingo mais próximo do 5 de Agosto) - Popular / Religiosa
10 Agosto - Feira de S. Lourenço - Religiosa
11 Agosto - Aniversário dos Bombeiros - Histórica
15 de Agosto - Festa de Santa Maria - Popular
16 de Agosto - Festa de São Roque - Religiosa *
Agosto (durante as Festas de Santa Maria) - Festival de Folclore - Popular
21 de Agosto - Aniversário da Banda União Artística - Histórica
Agosto - Póvoa e Meadas- Festival de Folclore - Popular
13, 14 e 15 de Setembro - Festa de São Vicente Ferrer - Popular / Religiosa *
Setembro ( 1º Fim de Semana) - Feira Medieval - Histórica / Popular
11 de Novembro (Póvoa e Meadas) - S. Martinho - Religiosa

*a sua realização está dependente da existência, de uma comissão responsável pela organização