sábado, 20 de janeiro de 2018
Lenda da formação da cidade de Lisboa
Olisipo, a Cidade de Ulisses
Há muito tempo atrás, num ponto remoto do calendário, existia um promontório que recebia o desembocar do Tejo. Era um reino inóspito, muito além das Colunas de Hércules, conhecido pelo nome de Ufiusa, a terra das serpentes. Este reino formado por serpentes, tinha como rainha um estranho ser, metade mulher, metade serpente, que trazia um rosto belíssimo, dona de um olhar feiticeiro e de uma voz quase de criança.
Senhora absoluta do seu reino, a rainha mulher-serpente costumava visitar o alto de um monte e gritar ao vento as palavras que ecoavam por todo o Tejo:
-Este é o meu reino! Só eu governo aqui, mais ninguém! Nenhum homem atrever-se-á pôr aqui os pés. Ai do que ousar! As minhas serpentes não o deixarão respirar um só minuto!
Assim correram os anos. Até que um dia surgiu errante, com os ventos, o grego Ulisses (Odisseu). O rei da Ítaca, herói da Tróia destruída, tão logo terminara a guerra, por um capricho dos deuses, navegava perdido pelo Mediterrâneo sem fim. Um dia os barcos de Ulisses foram soprados para muito além das Colunas de Hércules, vindo a entrar pela desembocadura de um imenso rio ao qual chamavam de Tejo, aportando no reino de Ufiusa. Tão logo chegou àquelas terras, o grego deslumbrou-se com a sua beleza, com a suavidade das suas brisas, o sabor das suas frutas e o gosto doce das águas do Tejo. Ofuscado por tanta beleza, Ulisses reuniu os seus homens, declarando potente a todos eles:
-Aqui, onde a natureza mostra-se tão pródiga, edificarei a mais bela cidade do mundo! Dar-lhe-ei o meu nome... será Ulisseia, capital das belezas do mundo!
Assim foram edificados os primeiros alicerces da sua cidade. Mas a terra que tanta beleza trazia aos olhos do grego, mostrou-se traiçoeira diante das serpentes que deslizavam por elas. Muitos dos homens da tripulação tombaram envenenados por picadas das serpentes, outros desapareciam, vitimados por armadilhas traiçoeiras. Cada vez mais o inimigo oculto ladeava Ulisses. Diante de estranhos inimigos, o valente rei da Ítaca clamou:
-Por todos os deuses do Olimpo, eu vos desafio, inimigo invisível e traiçoeiro. Aparecei das sombras, mostrai a vossa face e desafiai-me corpo a corpo!
Mas o inimigo continuou oculto, Ulisses só continuava a ouvir os silvos das serpentes, que vinham como uma sinfonia noturna. Assim o perigo rondava Ulisses e os seus homens, que cada vez mais tombavam envenenados. Irritado, Ulisses bradou com todas as suas forças:
-Traiçoeiro inimigo, podeis tentar tudo o que quiserdes, mesmo assim não abandonarei esta terra sem aqui deixar a mais famosa cidade edificada que se tenha notícia!
Foi então que a rainha das serpentes, profundamente atraída pelo valente guerreiro, revelou-se a ele. Surgiu do disfarce de uma rocha, com a sua voz de criança e formosura na sua face de mulher, escorregadia na sua metade serpente.
-Bem vindo ao reino das serpentes, conhecido por Ufiusa! Sois valente e ousai a enfrentar aos súditos deste reino, do qual sou a rainha soberana e absoluta!
Ao ver a revelação da rainha, Ulisses apercebeu-se da face do misterioso inimigo, finalmente revelada. Uma vez revelado-lhe o inimigo, o grego já não o temia. Viu na voz doce da mulher o sibilar das serpentes, refletida no olhar amargo.
Já apaixonada por Ulisses e por sua valentia, a rainha percebeu que a sua rendição não iria acontecer. Não mais esperava por ela, pelo contrário, decidira que queria o guerreiro para sempre em seus reinos.
-Durante dias esperei por vossa rendição. A vossa coragem foi superior, o que atraiu a minha admiração! Sei do vosso sonho de aqui edificardes uma cidade! Pois bem, eu vos permito a realização desse sonho, com uma condição: a de cá ficardes para sempre!
Enigmático, Ulisses sorriu-lhe, sem jamais lhe dar uma resposta com palavras, meneando a cabeça, como se concordasse. Com o consentimento da rainha das serpentes, Ulisses passou a edificar a sua cidade, erguendo-se jardins, casas e ruas. As serpentes já não atacavam os homens, que cada vez mais ali aportavam. Enquanto os homens trabalhavam, as mulheres serpentes cantavam para que a labuta lhes fosse mais suave.
Erguida a cidade de Ulisses, que passou a ser conhecidas como Olisipo, uma brisa suave inundou tão soberba obra. Mas o coração de Ulisses pertencia a Ítaca e a Penélope, a sua mulher, que há muitos anos esperava por sua volta. Assim, mesmo deslumbrado com a sua obra, o grego só pensava em partir, navegando até que aportasse na sua terra natal. Mas a paixão da rainha serpente impedia que Ulisses partisse, tornando-o prisioneiro da sua própria cidade.
Sabendo-se prisioneiro da rainha, Ulisses encheu-se dos mais falsos carinhos e de amor ardente e traiçoeiro, enquanto desenhava o seu plano de fuga. Por fim chegara a noite da tão esperada fuga. Combinara buscar a rainha para um passeio ao luar. Em vez de comparecer ao encontro, Ulisses enviou um dos seus homens, que tinha a mesma estatura do que ele e ao longe, poderia ser confundido com ele. Assim, enquanto Ulisses fugia navegando pelas águas do Tejo em direção ao Oceano, o seu fiel companheiro, muito bem disfarçado, foi buscar a rainha, levando-a para longe do rio.
Durante o passeio, só a rainha falava, mostrava para o companheiro o futuro da sua Ulisseia, ou Olisipo. De repente a mulher inquietou-se com o silêncio do amado. Ao olhar para aquele que estava ao seu lado, percebeu que os olhos eram outros. Ao perceber o engano, a rainha soltou um grito de indignação. Ao ver-se traída, furiosa, ela mordeu o impostor, envenenando-o com a sua peçonha. Antes de morrer, o infeliz murmurou que o seu amo já deveria ir longe, a navegar pelo grande Mar Oceano, rumo às terras gregas.
Desesperada, a rainha tentou ir além de todas as suas forças, estendendo-se sobre a cidade de Ulisses, na ânsia asfixiante de alcançar o mar. Foi tamanho o seu esforço de alcançar o amado, que onde ela estendeu o corpo de serpente, das suas contorções desenhou-se sete colinas sobre Olisipo.
Mas Ulisses já estava longe, e a infeliz rainha não resistiu, morreu após tamanho esforço.
Sem a sua rainha, as serpentes fugiram da cidade. No antigo reino de veneno e morte, ficou edificada altaneira, a cidade de Ulisses, erguida sobre as suas sete colinas.
Ulisses jamais retornou, mas Olisipo tornou-se a principal cidade às margens do Tejo. Muitos anos mais tarde a cidade de Ulisses passou a ser conhecida como Lisboa.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
FESTA DOS TABULEIROS - TOMAR
A
Festa dos Tabuleiros realiza-se de 4 em 4 anos no princípio de julho em Tomar. A
sua origem remonta ao Culto do Espirito Santo, instituído no Séc. XIV,
mas nela se vislumbram as origens remotas das antigas festas das colheitas, seja pela profusão de flores, seja pela presença do pão e das espigas de trigo nos tabuleiros.
Ao
Cortejo, ponto alto dos festejos, associa-se um rico conjunto de
intervenções culturais e recreativos, de que se destacam o Cortejo dos
Rapazes, o Cortejo do Mordomo, as Ruas Populares Ornamentadas, os jogos
Populares, os Cortejos Parciais, os Arraiais Populares e a Pêza.
A
Festa inicia-se no Domingo de Páscoa, com a Saída das Coroas e Pendões
de todas as freguesias em procissão animado por gaiteiros,
tamborileiros, fogueteiros e bandas de música.
A
partir daí, repetir-se-á sete vezes tal Procissão, apresentando apenas
as Coroas e Pendão da Cidade e algumas das freguesias. Vedada a
participação das crianças no Grande Cortejo, o Cortejo dos Rapazes é a
solução encontrada para que às crianças seja dada a possibilidade de
viverem intensamente a sua Festa. O Cortejo dos Rapazes é um cortejo à
imagem da Grande Cortejo, que ocorre na domingo anterior a este, nele
participando os alunos dos Jardins de Infância e Escolas Básicas.
Na
sexta-feira anterior ao Cortejo dos Tabuleiros tem lugar o Cortejo do
Mordomo, o qual simboliza a entrada na cidade dos bois do sacrifício
que, no passado, viriam a ser abatidos para distribuição da carne.
Antigamente
chamava-se Cortejo dos Bois do Espírito Santo; hoje é um importante
cortejo de carruagens e cavaleiros, com as parelhas de bois à cabeça.
As
ruas do Centro Histórico, vedadas ao trânsito, são ornamentadas com
milhões de flores de papel confecionadas durante muitos meses de labor
apaixonado.
No
sábado anterior ao do Grande Cortejo, de manhã, chegam das freguesias,
nos Cortejas Parciais, as centenas de Tabuleiros que no dia seguinte
irão desfilar. À tarde têm lugar no Estádio Municipal, os jogos
Populares Tradicionais (corrida de bilhas e pipas, tração de cordas,
subida do pau ensebada, chinquilho,…).
No
Domingo, o Cortejo dos Tabuleiros inicia-se com gaiteiros e
fogueteiros. Depois, o Pendão do Espirito Santo e as três Coroas dos
Imperadores e Reis. Seguem-se os Pendões e Coroas de todas as
freguesias.
O
Cortejo é um caudal imenso e serpenteante de cor e música. Centenas de
pares fazem o cortejo: elas, de branco, com uma fita colorida a cruzar o
peito, levando no alto os Tabuleiros; eles, de camisa branca e mangas
arregaçadas, calças escuras, barrete ao ombro e gravata na cor da fita
da rapariga. A fechar o Cortejo vão os carros triunfais do pão, da carne
e do vinho puxados pelos bois do sacrifício simbólico.
O
Tabuleiro é o Símbolo e principal alfaia da Festa dos Tabuleiros. Deve
ter a altura da rapariga que o carrega. Ornamenta-se com flores de
papel, verdura e espigas de trigo. É constituído por 30 pães de formato
especial e 400 gramas cada, enfiados equitativamente em 5 ou 6 canas.
Estas saem de um cesto de vime envolvido em pano bordado e são
rematadas, no topo, por uma coroa encimada pela Cruz de Cristo ou Pomba
do Espírito Santo. O traje feminino compõe-se de vestido comprida,
branco, com uma fita colorida a cruzar o peito; o masculino é uma
simples camisa branca de mangas arregaçadas, calças escuras, barrete
preto ao ombro e gravata na cor da fita da rapariga.
Segunda-feira
após o Cortejo, a rematar a Festa, manda a Tradição e a Solidariedade
que aos necessitados se distribua a carne, o pão e o vinho que foram
benzidos no dia anterior - a Pêza.
Fonte:
foto 1: Jaimrsilva
foto 2: oribatejo
foto 3 e 4: wikipedia
Praia Fluvial de Sangemil
A Praia Fluvial de Sangemil é um bom exemplo de uma mistura sublime de uma paisagem verde e um azul transparente do Rio Dão. Trata-se de uma praia perdida na floresta, com óptimas condições balneares, oferecendo ainda uma estância termal vocacionada para problemas musculo-esqueléticos, reumatológicos e respiratórios.
A praia fluvial da aldeia de Sangemil, juntamente com as Termas situam-se na povoação de Caldas de Sangemil a 12 km de Tondela e a 17 km de Viseu no Vale do Rio Dão, entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo na hospitaleira Região da Beira.
Acessos para GPS: 40º40'0" North; 7º42'0"West
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Lenda do Galo de Barcelos
Uma das mais importantes lendas medievais do éradio popular português originaria no Caminho de Peregrinação a Santiago de Compostela, se imortalizou na cultura lusitana através do famoso Galo de Barcelos que de símbolo do artesanato Barcelense se elevou ao mais importante ícone de identidade de Portugal no Mundo.
A lenda
A curiosa lenda do galo está associada ao cruzeiro medieval que faz parte do espólio do Museu Arqueológico da cidade. Segundo esta lenda, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, com o facto de não se ter descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém acreditou. nele. Ninguém acreditava que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela, em cumprimento de uma promessa, sem que fosse fervoroso devoto do santo que, em Compostela, se venerava, nem de S. Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado que, nesse momento, se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa, exclamando: “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”. Risos e comentários não se fizeram esperar mas, pelo sim pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz correu à forca e viu, com espanto, o pobre homem de corda ao pescoço. Todavia, o nó lasso impedia o estrangulamento. Imediatamente solto foi mandado em paz. Passados anos voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor a S. Tiago e à Virgem.
Fonte: Câmara Municipal de Barcelos
Cabrito assado no forno à moda da Serra do Caramulo
A tradição de um sabor com história
Ingredientes:
1 Cabrito 3 a 5 Kg. (sem fressura)
6 dentes de alho
1 folhas de louro
1, 5 colher de sopa de colorau
1 ramo de Salsa;
sal grosso q.b.
0,5 lt. vinho branco
6 colheres sopa de azeite
2,5 colher de sopa de banha de porco.
Preparação:
Começa-se por limpar o Cabrito, retirar a fressura e cortando-o em pedaços grandes; barram-se com uma papa feita com o sal grosso, alhos esmagados, colorau, o louro, o azeite, e a banha.
Coloca-se os pedaços do cabrito numa assadeira de barro preto de Molelos e junta-se o ramo de salsa e um pouco de vinho branco, deverá ficar assim temperado de um dia para o outro.
Leva-se ao forno de lenha bem quente e quando o cabrito se apresentar meio assado, começa a regar-se com o vinho branco (de vez em quando). O cabrito deve ficar bem tostado.
Serve-se com batatinhas assadas, arroz de miúdos feito com a fressura do cabrito e grelos salteados.
Preparação:
Começa-se por limpar o Cabrito, retirar a fressura e cortando-o em pedaços grandes; barram-se com uma papa feita com o sal grosso, alhos esmagados, colorau, o louro, o azeite, e a banha.
Coloca-se os pedaços do cabrito numa assadeira de barro preto de Molelos e junta-se o ramo de salsa e um pouco de vinho branco, deverá ficar assim temperado de um dia para o outro.
Leva-se ao forno de lenha bem quente e quando o cabrito se apresentar meio assado, começa a regar-se com o vinho branco (de vez em quando). O cabrito deve ficar bem tostado.
Serve-se com batatinhas assadas, arroz de miúdos feito com a fressura do cabrito e grelos salteados.
Fonte original todos os direitos reservados a: https://www.visitcaramulo.org/o-que-fazer/gastronomia/gastronomia/Cabrito-do-Caramulo
Praia Fluvial de Montanha de São João do Monte
Uma das poucas praias de altitude em Portugal.
Localizada em plena Serra do Caramulo, esta praia goza da tranquilidade de um ambiente serrano, com uma natureza quase intacta e um imenso colorido de água e vegetação. A praia de S. João do Monte convida ao relaxamento perfeito.
Acessos
GPS: 40º35’.47.03” N / 8º14’12.26” W
EN230 (Serra do Caramulo) Concelho de Tondela
Mais informações
Praia Acessível
Parque de merendas, parque de estacionamento, instalações sanitárias, duches, bar de praia, restaurante
Actividades
Canoagem, BTT, desportos aventura, pesca, observação fauna e flora
Fonte original todos os direitos reservados a: visitcaramulo
Convento de Cristo - Tomar
O Castelo de Tomar e Convento de Cristo, sede das ordens religiosas e militares do Templo e de Cristo foi classificado como património da humanidade e inscrito na lista do património mundial da UNESCO, em 1983.
Os critérios que presidiram à sua classificação tiveram em conta, particularmente a Charola dos templários e a invulgar janela ocidental da nave manuelina, cuja construção amplia e prolonga para fora do castelo a própria rotunda, primitivo oratório dos cavaleiros.
A Charola, para além de ser um dos melhores entre os raros exemplares existentes de igreja em rotunda, simboliza o mundo medieval europeu, das cruzadas e da defesa da fé. A janela manuelina na originalidade da sua gramática decorativa constitui a primeira síntese das artes europeia e oriental.
A arquitectura do lugar evoca um vasto reportório da arte europeia plasmada nos estilos que os séculos trouxeram à sua edificação.O próprio convento de renascentista foi tido em conta na classificação do complexo monástico, por este ser um dos maiores da Europa e pelo facto do seu claustro principal ser uma obra-prima da arquitectura do Renascimento.(
Os critérios que presidiram à sua classificação tiveram em conta, particularmente a Charola dos templários e a invulgar janela ocidental da nave manuelina, cuja construção amplia e prolonga para fora do castelo a própria rotunda, primitivo oratório dos cavaleiros.
A Charola, para além de ser um dos melhores entre os raros exemplares existentes de igreja em rotunda, simboliza o mundo medieval europeu, das cruzadas e da defesa da fé. A janela manuelina na originalidade da sua gramática decorativa constitui a primeira síntese das artes europeia e oriental.
A arquitectura do lugar evoca um vasto reportório da arte europeia plasmada nos estilos que os séculos trouxeram à sua edificação.O próprio convento de renascentista foi tido em conta na classificação do complexo monástico, por este ser um dos maiores da Europa e pelo facto do seu claustro principal ser uma obra-prima da arquitectura do Renascimento.(
Charola
A Charola era o oratório privativo dos Cavaleiros, no interior da fortaleza. A sua tipologia é comum das igrejas bizantinas, a qual volta a integrar o românico com o movimento das Cruzadas.
Nesta tipologia o templo tem como base uma planta se desenvolve em torno de um espaço central, o qual, na rotunda templária, tem a forma de um prisma octogonal, ou tambor, que se desdobra em dezasseis faces no paramento do deambulatório, encerrando deste modo a volumetria do edifício. Concluída em 1190, a Charola tinha a entrada virada a oriente. Foram as obras de D. Manuel I que a estabeleceram a sul, na nave com que ampliou a igreja, extramuros do castelo.
Já com o castelo sede dos cavaleiros de Cristo, o Infante D. Henrique, governador e regedor da Ordem de 1420 a 1460, irá fazer as primeiras alterações na rotunda templária com vista a dotá-la dos requisitos espaciais com vista a aí se desenrolar as funções litúrgicas do ramo de frades contemplativos que ele entretanto introduzira na Milícia de Cristo. Para tal ele vai abrir dois janelões no paramento dos dois tramos do deambulatório virados a poente, para depois aí instalar, pendorado na alvenaria um coro em madeira. Ao mesmo tempo faz abrir quatro capelas nas paredes do deambulatório orientadas a NE, NO, SE e SO. Nos restantes tramos instala altares circundando o deambulatório.
Com a ampliação do espaço litúrgico por D. Manuel I, são removidos os madeiramentos do Infante e os tramos dos janelões são definitivamente abatidos para dar lugar ao vão do arco triunfal que articula o espaço templário com a nave manuelina. A Charola passará então a funcionar como capela-mor da nova igreja conventual. Será enriquecida com obra de arte sacra que incluiu escultura, pintura sobre madeira e sobre couro, pintura mural e estuques. Particularmente importante foi a descoberta, nos nossos dias, de pinturas manuelinas a abóbada do deambulatório, e que haviam sido recobertas de cal em época posterior ao terramoto de 1755, cujos efeitos se fizeram sentir no edifício. O seu restauro ocorreu entre 1987 e 2014.
Ermida de N. Srª. da Conceição
A Reforma da Ordem de Cristo, ordenada por D. João III e perpetrada pelo frade jerónimo, António Moniz de Lisboa, trouxe ao sítio de Tomar uma jóia do Renascimento: a Ermida da Imaculada Conceição. Trata-se de uma Capela de recorte quadrangular, cuja volumetria lhe confere um aspecto exterior austero e cuja composição arquitectónica interior é de uma expressão plástica de grandiosa e subtil harmonia.
Formalmente esta Capela parece evocar a tipologia romana da Basílica, com três naves e abside, mas na realidade, trata-se de uma pequena Igreja-Salão, com antecâmara e abside. É o jogo compositivo das 6 colunas suportando o teto e a resolução deste por abóbadas de berço, que confere a este espaço o significado alegórico da Basílica num tratamento de voluntária ambiguidade de forma e estrutura, típica da Arquitectura Maneirista.
A Capela foi mandada edificar Frei António de Lisboa, em 1541, mas a sua conclusão prolongou-se pelo séc. XVII adentro, como atesta um cronista da Ordem: . . ." O nosso Reformador fez mais a Ermida da Conceição, obra para se ver e notar, em tão pouco espaço e tão perfeita que os arquitectos não tem que notar, se não o não estar acabada." (A. Monis, ANTT, Cristo b-51-57, Relação de quando se começou esta Ordem de Xpo. . . no anno de 1529 . . . até esta era de 1630, Folio 3 Vº. ).
Primitivamente o lugar da capela pertencia à área nordeste da Cerca do Convento. Esta parte da Cerca desapareceu com a venda de terreno, no século XVIII, para a construção do Convento da Anunciada Nova, das Clarissas.
A simbólica relacionada com o culto mariano e o dogma da Imaculada Conceição de Maria está patente na arquitectura do pequeno templo através de aspectos peculiares da sua estrutura formal e do seu vocabulário escultórico ornamental.
Claustro Principal
O Claustro Principal é a obra magna do convento renascentista edificado por D. João III, extra muros do castelo, e rodeando a nave com que pai, D. Manuel I, ampliou a igreja templária.
Faz parte do grupo de quatro grandes claustros em torno dos quais assenta a estrutura formal da espacialidade conventual. Contíguo à igreja conventual, o Claustro Principal flanqueia a fachada sul da nave manuelina. A sua traça é diversa da restante arquitectura conventual castilhiana.
Refeito após a morte de Castilho, por Diogo de Torralva, no estilo maneirista do Cinquecento italiano, este claustro irá receber uma graciosa fonte, da lavra de Fernandes Torres, alimentada pela água do aqueduto conventual. É considerado uma obra-prima da Renascença europeia.
Janela do Capítulo
A Nave manuelina, tanto internamente como exteriormente, é guarnecida de uma profusa ornamentação escultórica simbólica, heráldica e sacra. Todos os elementos arquitectónicos, cimalha, pináculos, contrafortes, janelas, etc., são envoltos numa profunda plasticidade que os temas figurativos lhes conferem, a ponto de dissimularem as suas funções arquitectónicas e estruturais.
O caso mais emblemático deste tratamento formal, são as janelas da sacristia manuelina dita "Casa do Capítulo". Inicialmente em número de três, chegaram aos nossos dias duas: Uma, em segunda luz, virada a sul, é visível do Claustro Principal, a outra, na fachada ocidental, é a famosamente conhecida por Janela do Capítulo.
Ladeada por dois gigantescos contrafortes, ou botaréus, esta janela é ornada por um exuberante universo figurativo onde estão presentes os temas de marinhagem - a madeira, o cordame, as bóias, etc., - as insígnias da Ordem - a cruz heráldica, esfera armilar, o brasão do reino, - e figurações simbólicas, particulares à mística da Cavalaria Espiritual e à missão que a Ordem de Cristo tinha na empresa das Descobertas.
Cerca Conventual. Mata dos Sete Montes
A cerca conventual é uma vasta área rural conhecida, desde os primórdios do povoamento templário da região, como o Lugar dos Sete Montes. Trata-se de uma unidade de paisagem, constituída por um maciço montuoso de sete colinas, pequenas mas de relevo acentuado, que se desenvolvem de norte para sul em forma de arco de ferradura, com um pequeno mas profundo vale de premeio, descendo de poente para nascente, onde corre um ribeiro que verte as suas águas no rio Nabão. Foi na colina que limita a norte o maciço que os Templários fundaram, em 1160 o castelo de Tomar.
Quando D. João III construiu o convento novo, para a Ordem de Cristo reformada em freiria de clausura, rodeou toda a área rural com um muro, pela cumeada dos morros, para que assim todo o Lugar dos Sete Montes ficasse ligado ao convento, passando este domínio rural a ser a cerca privativa dos freires de Cristo.
Nos finais do século XVI a cerca conventual é celebrada por Fernão Álvares do Oriente na sua novela bucólica Lusitânia Transformada: "...Bem junto à ribeira do antigo Nabão, a par de um lugar fresco, a que os seus moradores por justa ocasião chamaram os Sete Montes, porquanto sete montes o rodeiam todo, está uma floresta tão oculta aos olhos dos pastores, que parece que não só à vista mas também aos pensamentos se nega entrada nela.".
Como chegar
Por Auto-estrada: A partir de Lisboa – A1, até ao km 93. A partir do Porto – A1, até ao km 198. Saída 7 para a A23 - Torres Novas. Na A23, sair para o IC3 e nesta via viajar até à indicação de saída para Tomar pela N 110. (trajecto mais curto – acesso sul).
Por estrada Nacional: a partir de Leiria – N 113 / IC9; a partir de Coimbra – EN 110 / IC3.
Comboio: Vários comboios diários entre Lisboa e Tomar, via Entroncamento. Cerca de 2 h de viagem.
De carro, na cidade: Na rotunda da Praceta Alves Redol, tomar o sentido poente, pela Av. Dr. Cândido Madureira e, no fim desta, virar à direita, subindo a Av. Dr. Vieira Guimarães que dispõe, junto à Ermida de N. S. da Conceição, de um parque de estacionamento e que termina num outro parque de estacionamento, para tomada e largada de passageiros (ligeiros), fronteiro ao Castelo dos Templários. Para autocarros a largada de passageiros é realizada neste local e a tomada de passageiros e partida deverá ser efetuada na fachada norte do monumento.
A pé, na cidade: Aceder à Praça da República e, atrás do Edifício dos Paços do Concelho, subir a Calçada medieval de S. Tiago até ao parque de estacionamento ou então subir a Calçada medieval de S. André, desde o largo do Pelourinho.
Acede-se ao Convento pelo Castelo dos Templários.
Horários
Outubro a Maio
Das 09h00 às 17h30 (última entrada às 17h00)
Junho a Setembro
Das 09h00 às 18h30 (última entrada às 18h00)
Encerrado: 1 de Janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de Maio, 24 e 25 de Dezembro.
Fonte do texto: conventocristo.gov
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