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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ponte da Mizarela (ponte do diabo)


A Ponte da Mizarela (ponte do diabo) localiza-se sobre o rio Rabagão, a cerca de um quilómetro da sua foz no rio Cávado, na freguesia de Ruivães, concelho de Vieira do Minho, distrito de Braga, em Portugal. Liga as freguesias de Ruivães à de Ferral, no concelho de Montalegre. Está implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado, assente sobre os penedos e com alguma altitude em relação ao leito do rio, sendo sustentada por um único arco com cerca de 13 metros de vão.
Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde de 30 de novembro de 1993.








A lenda da ponte da Mizarela:

Reza sobre ela, a seguinte lenda:

"Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao Diabo, se disfarçou em salteador perseguido pelas justiças de Montalegre, e foi certo dia, à meia-noite, àquele lugar para passar o rio. Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do Inimigo. Ouve-se um rumor subterrâneo e eis que aparece, afável e chamejante, o anjo rebelde:

- "Que queres de mim?" - perguntou ele.

- "Passa-me para o outro lado e dar-te-ei a minha alma."

Santanás, que antegozava já a perdição do sacerdote, estendeu-lhe um pedaço de pergaminho garatujado e uma pena molhada em saliva negra, dizendo:

- "Assina!".

O padre assinou. O Demo fez um gesto cabalístico e uma ponte saiu do seio horrendo das trevas.

O clérigo passa e, enquanto o diabo esfrega um olho, saca da caldeirinha da água benta, que escondera debaixo da capa de burel, e asparge com ela a infernal alvenaria, fazendo o sinal da cruz e pronunciando bem vincadas as palavras do exorcismo.

Santanás, logrado, deu um berro bestial e desapareceu num boqueirão aberto na rocha, por onde sairam línguas de fogo, estrondos vulcânicos e fumos pestilenciais. O vulgo das redondezas, na sua ignorância e ingenuidade, e não sabemos a origem, aproveita-se da ponte para ali exercer um rito singular.

Quando uma mulher, decorridos que sejam dezoito meses após o seu enlace matrimonial, não houver concebido, ou, quando pejada, se prevê um parto difícil ou perigoso, não tem mais que ir à Mizarela, à noite, para obter um feliz sucesso. Ali, com o marido e outros familiares, espera que passe o primeiro viandante. Este é então convidado para proceder à cerimónia, a qual consiste no baptismo in ventris do novo ou futuro ser. Para isso, o caminhante colhe, por meio de uma comprida corda com um vaso adaptado a uma das extremidades, um pouco de água do rio e com a mão em concha deita-a no ventre da paciente por um pequeno rasgão aberto no vestuário para este efeito, acompanhando a oração com a seguinte ladaínha:

Eu te baptizo
criatura de Deus,
Pelo poder de Deus,
e da Virgem Maria.
Se for rapaz, será ‘Gervás’;
se for rapariga, será Senhorinha.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
um Padre-Nosso e uma Avé-Maria. "

O barulhar iracundo da cachoeira no abismo imprime a estas cenas um cunho de tétrica magia. Segue-se depois uma lauta ceia, assistindo, geralmente, o improvisado padrinho. E o êxito é completo: um neófito virá alegrar a família. Claro que se na primeira noite não passar o viandante desejado, a viagem à Mizarela repetir-se-á até o cerimonial se realizar nas condições devidas.

De um dos lados ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou "Púlpito do Diabo", por crer que o Demo vai ali pregar à meia-noite, quando as bruxas das redondezas se reúnem em magno concílio…
- Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, O mutilado de Ruivães







 


Localização:
Montalegre (Concelho)


N 41º 41' 32,35'' ,W 8º 1' 10,83''
 
 

domingo, 23 de julho de 2017

Anta de Nossa Senhora do Livramento






A Anta de São Brissos, construída entre o IV e o III milénio a.C., situa-se na freguesia de Santiago do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo (Alto Alaentejo).

A anta foi transformada em capela no século XVII e está caiada com as tradicionais cores do Alentejo, branco e azul. É conhecida como Anta de Nossa Senhora do Livramento ou Anta-Capela de Nossa Senhora do Livramento.

Local de romarias e peregrinações, era tradição na segunda-feira de Páscoa ir assistir-se à missa e depois comia-se o borrego nas imediações da capela, e na Quinta-feira da Ascensão depois de se apanhar a espiga, rumava-se à capela para a benzer e pedir boas colheitas.
Em anos de seca faziam-se procissões para pedir chuva.

Hoje em dia, para visitar o interior desta Anta/Capela é necessário marcar com antecedência,
através da Junta de Freguesia do Escoural.


A Lenda da Senhora do Livramento 


Diz a lenda que a Senhora do Livramento e São Brissos tiveram um filho, mas esta foi traída com a Senhora das Neves. Em anos de seca, os locais transportam a imagem de Nossa Senhora do Livramento para a Igreja de São Brissos colocando-a de costas voltadas para o Santo, seu ex-amor, deixando o seu filho na capela.

Como o menino ficava na Anta, a Senhora chorava de tristeza e as suas lágrimas eram transformadas em chuva.
A crença durou até um passado recente e agora é mais uma lenda.



São Brissos é um santo português, terá sido bispo em Évora e morto pelos romanos em 312, e a Santa do Livramento está associada à fertilidade. Desta relação terá resultado um menino que também está na anta-capela.



A Anta-Ermida de Nossa Senhora do Livramento está classificada como Imóvel de Interesse Público.

Está classificada pelo IGESPAR. É Monumento Nacional desde 1910.


Foto: todos os direitos reservados a: @Jos Dielis