quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Convento de Cristo - Tomar






O Castelo de Tomar e Convento de Cristo, sede das ordens religiosas e militares do Templo e de Cristo foi classificado como património da humanidade e inscrito na lista do património mundial da UNESCO, em 1983.

Os critérios que presidiram à sua classificação tiveram em conta, particularmente a Charola dos templários e a invulgar janela ocidental da nave manuelina, cuja construção amplia e prolonga para fora do castelo a própria rotunda, primitivo oratório dos cavaleiros.

A Charola, para além de ser um dos melhores entre os raros exemplares existentes de igreja em rotunda, simboliza o mundo medieval europeu, das cruzadas e da defesa da fé. A janela manuelina na originalidade da sua gramática decorativa constitui a primeira síntese das artes europeia e oriental.

A arquitectura do lugar evoca um vasto reportório da arte europeia plasmada nos estilos que os séculos trouxeram à sua edificação.O próprio convento de renascentista foi tido em conta na classificação do complexo monástico, por este ser um dos maiores da Europa e pelo facto do seu claustro principal ser uma obra-prima da arquitectura do Renascimento.(






Charola

A Charola era o oratório privativo dos Cavaleiros, no interior da fortaleza. A sua tipologia é comum das igrejas bizantinas, a qual volta a integrar o românico com o movimento das Cruzadas.

Nesta tipologia o templo tem como base uma planta se desenvolve em torno de um espaço central, o qual, na rotunda templária, tem a forma de um prisma octogonal, ou tambor, que se desdobra em dezasseis faces no paramento do deambulatório, encerrando deste modo a volumetria do edifício. Concluída em 1190, a Charola tinha a entrada virada a oriente. Foram as obras de D. Manuel I que a estabeleceram a sul, na nave com que ampliou a igreja, extramuros do castelo.

Já com o castelo sede dos cavaleiros de Cristo, o Infante D. Henrique, governador e regedor da Ordem de 1420 a 1460, irá fazer as primeiras alterações na rotunda templária com vista a dotá-la dos requisitos espaciais com vista a aí se desenrolar as funções litúrgicas do ramo de frades contemplativos que ele entretanto introduzira na Milícia de Cristo. Para tal ele vai abrir dois janelões no paramento dos dois tramos do deambulatório virados a poente, para depois aí instalar, pendorado na alvenaria um coro em madeira. Ao mesmo tempo faz abrir quatro capelas nas paredes do deambulatório orientadas a NE, NO, SE e SO. Nos restantes tramos instala altares circundando o deambulatório.

Com a ampliação do espaço litúrgico por D. Manuel I, são removidos os madeiramentos do Infante e os tramos dos janelões são definitivamente abatidos para dar lugar ao vão do arco triunfal que articula o espaço templário com a nave manuelina. A Charola passará então a funcionar como capela-mor da nova igreja conventual. Será enriquecida com obra de arte sacra que incluiu escultura, pintura sobre madeira e sobre couro, pintura mural e estuques. Particularmente importante foi a descoberta, nos nossos dias, de pinturas manuelinas a abóbada do deambulatório, e que haviam sido recobertas de cal em época posterior ao terramoto de 1755, cujos efeitos se fizeram sentir no edifício. O seu restauro ocorreu entre 1987 e 2014.


















Ermida de N. Srª. da Conceição

A Reforma da Ordem de Cristo, ordenada por D. João III e perpetrada pelo frade jerónimo, António Moniz de Lisboa, trouxe ao sítio de Tomar uma jóia do Renascimento: a Ermida da Imaculada Conceição. Trata-se de uma Capela de recorte quadrangular, cuja volumetria lhe confere um aspecto exterior austero e cuja composição arquitectónica interior é de uma expressão plástica de grandiosa e subtil harmonia.

Formalmente esta Capela parece evocar a tipologia romana da Basílica, com três naves e abside, mas na realidade, trata-se de uma pequena Igreja-Salão, com antecâmara e abside. É o jogo compositivo das 6 colunas suportando o teto e a resolução deste por abóbadas de berço, que confere a este espaço o significado alegórico da Basílica num tratamento de voluntária ambiguidade de forma e estrutura, típica da Arquitectura Maneirista.

A Capela foi mandada edificar Frei António de Lisboa, em 1541, mas a sua conclusão prolongou-se pelo séc. XVII adentro, como atesta um cronista da Ordem: . . ." O nosso Reformador fez mais a Ermida da Conceição, obra para se ver e notar, em tão pouco espaço e tão perfeita que os arquitectos não tem que notar, se não o não estar acabada." (A. Monis, ANTT, Cristo b-51-57, Relação de quando se começou esta Ordem de Xpo. . . no anno de 1529 . . . até esta era de 1630, Folio 3 Vº. ).

Primitivamente o lugar da capela pertencia à área nordeste da Cerca do Convento. Esta parte da Cerca desapareceu com a venda de terreno, no século XVIII, para a construção do Convento da Anunciada Nova, das Clarissas.

A simbólica relacionada com o culto mariano e o dogma da Imaculada Conceição de Maria está patente na arquitectura do pequeno templo através de aspectos peculiares da sua estrutura formal e do seu vocabulário escultórico ornamental.























Claustro Principal

O Claustro Principal é a obra magna do convento renascentista edificado por D. João III, extra muros do castelo, e rodeando a nave com que pai, D. Manuel I, ampliou a igreja templária.

Faz parte do grupo de quatro grandes claustros em torno dos quais assenta a estrutura formal da espacialidade conventual. Contíguo à igreja conventual, o Claustro Principal flanqueia a fachada sul da nave manuelina. A sua traça é diversa da restante arquitectura conventual castilhiana.

Refeito após a morte de Castilho, por Diogo de Torralva, no estilo maneirista do Cinquecento italiano, este claustro irá receber uma graciosa fonte, da lavra de Fernandes Torres, alimentada pela água do aqueduto conventual. É considerado uma obra-prima da Renascença europeia.



















Janela do Capítulo

A Nave manuelina, tanto internamente como exteriormente, é guarnecida de uma profusa ornamentação escultórica simbólica, heráldica e sacra. Todos os elementos arquitectónicos, cimalha, pináculos, contrafortes, janelas, etc., são envoltos numa profunda plasticidade que os temas figurativos lhes conferem, a ponto de dissimularem as suas funções arquitectónicas e estruturais.

O caso mais emblemático deste tratamento formal, são as janelas da sacristia manuelina dita "Casa do Capítulo". Inicialmente em número de três, chegaram aos nossos dias duas: Uma, em segunda luz, virada a sul, é visível do Claustro Principal, a outra, na fachada ocidental, é a famosamente conhecida por Janela do Capítulo.

Ladeada por dois gigantescos contrafortes, ou botaréus, esta janela é ornada por um exuberante universo figurativo onde estão presentes os temas de marinhagem - a madeira, o cordame, as bóias, etc., - as insígnias da Ordem - a cruz heráldica, esfera armilar, o brasão do reino, - e figurações simbólicas, particulares à mística da Cavalaria Espiritual e à missão que a Ordem de Cristo tinha na empresa das Descobertas.










Cerca Conventual. Mata dos Sete Montes

A cerca conventual é uma vasta área rural conhecida, desde os primórdios do povoamento templário da região, como o Lugar dos Sete Montes. Trata-se de uma unidade de paisagem, constituída por um maciço montuoso de sete colinas, pequenas mas de relevo acentuado, que se desenvolvem de norte para sul em forma de arco de ferradura, com um pequeno mas profundo vale de premeio, descendo de poente para nascente, onde corre um ribeiro que verte as suas águas no rio Nabão. Foi na colina que limita a norte o maciço que os Templários fundaram, em 1160 o castelo de Tomar.

Quando D. João III construiu o convento novo, para a Ordem de Cristo reformada em freiria de clausura, rodeou toda a área rural com um muro, pela cumeada dos morros, para que assim todo o Lugar dos Sete Montes ficasse ligado ao convento, passando este domínio rural a ser a cerca privativa dos freires de Cristo.

Nos finais do século XVI a cerca conventual é celebrada por Fernão Álvares do Oriente na sua novela bucólica Lusitânia Transformada: "...Bem junto à ribeira do antigo Nabão, a par de um lugar fresco, a que os seus moradores por justa ocasião chamaram os Sete Montes, porquanto sete montes o rodeiam todo, está uma floresta tão oculta aos olhos dos pastores, que parece que não só à vista mas também aos pensamentos se nega entrada nela.".






Como chegar


Por Auto-estrada: A partir de Lisboa – A1, até ao km 93. A partir do Porto – A1, até ao km 198. Saída 7 para a A23 - Torres Novas. Na A23, sair para o IC3 e nesta via viajar até à indicação de saída para Tomar pela N 110. (trajecto mais curto – acesso sul).

Por estrada Nacional: a partir de Leiria – N 113 / IC9; a partir de Coimbra – EN 110 / IC3.

Comboio: Vários comboios diários entre Lisboa e Tomar, via Entroncamento. Cerca de 2 h de viagem.

De carro, na cidade: Na rotunda da Praceta Alves Redol, tomar o sentido poente, pela Av. Dr. Cândido Madureira e, no fim desta, virar à direita, subindo a Av. Dr. Vieira Guimarães que dispõe, junto à Ermida de N. S. da Conceição, de um parque de estacionamento e que termina num outro parque de estacionamento, para tomada e largada de passageiros (ligeiros), fronteiro ao Castelo dos Templários. Para autocarros a largada de passageiros é realizada neste local e a tomada de passageiros e partida deverá ser efetuada na fachada norte do monumento.

A pé, na cidade: Aceder à Praça da República e, atrás do Edifício dos Paços do Concelho, subir a Calçada medieval de S. Tiago até ao parque de estacionamento ou então subir a Calçada medieval de S. André, desde o largo do Pelourinho.


Acede-se ao Convento pelo Castelo dos Templários.


Horários


Outubro a Maio
Das 09h00 às 17h30 (última entrada às 17h00)

Junho a Setembro
Das 09h00 às 18h30 (última entrada às 18h00)

Encerrado: 1 de Janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de Maio, 24 e 25 de Dezembro.




Fonte do texto: conventocristo.gov

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