terça-feira, 18 de setembro de 2018

Há uma pequena ilha deserta e paradisíaca no Douro. A Ilha dos Amores







A Ilha dos Amores, terra de mistérios e lendas, é um dos tesouros mais desconhecidos do Douro, mas também das riquezas mais encantadoras.

Descubra agora esta pequena ilha perdida no Douro que vai surpreender qualquer visitante que com ela se cruze…


Pode não ser a Ilha dos Amores cantada por Luís de Camões nos seus Lusíadas, aquele paraíso que Vénus construiu para premiar os heróis lusitanos pelas suas conquistas, mas é uma Ilha encantadora no meio de um reino verdadeiramente “maravilhoso”… o Douro!

E esta “Ilha dos Amores” que falamos é bem mais que um mito. É uma realidade, apesar de parecer ter sido retirada das histórias mais românticas de todos os tempos. Esta é uma pequena ilha deserta, praticamente em estado bruto, no meio de um dos rios mais bonitos do mundo!

A formação desta ilha deve-se à subida das águas há centenas de anos atrás, que formaram um pequeno pedaço de terra que conta agora com 29 metros de altitude e 1400 metros2. A ilha, também conhecida como “Ilha do Castelo”, testemunha o cruzamento dos rios Paiva e Douro e marca o encontro dos distritos do Porto, Aveiro e Viseu.

E como quase todas as ilhas, está repleta de mistérios. As lendas – algumas mais trágicas que outras – dão-nos conta de um amor proibido vivido há dezenas de anos atrás entre uma fidalga e o filho de um lavrador. Já a História será um dia contada pelas ruínas de uma torre defensiva que prova que ainda há muito para descobrir no meio de uma paisagem tão sublime.

Esta ilha tem um pequeno Cais e, por isso, numa viagem de barco, podemos explorar este que é considerado um dos tesouros do Douro! Não se encontrarão, certamente, as Nereidas de Camões mas encontram-se outras riquezas naturais.

É um verdadeiro oásis que os olhos comtemplam: desde plantas rasteiras a árvores altas e imponentes, o isolamento permitiu a conservação da sua genuína vegetação. Aqui pode encontrar-se o pinheiro bravo e o pinheiro manso, os carvalhos, oliveiras, tamargueiras, juncos, freixos, amieiros, entre outros.

Aqui parece que o tempo para. E o cheiro doce e fresco envolve-nos com o som do rio a correr e dos pequenos pássaros a cantar. A confusão das grandes cidades está longe… Passeie e contemple o “excesso de Natureza” que por aqui habita. E porque não um mergulho para refrescar a tarde em pleno Verão Duriense? A água cristalina e calma lança o convite e vai querer mesmo aproveitar!














Lenda da Ilha dos Amores

Não poderia deixar de haver conversa popular sobre o que aconteceu por aqui. Diz o povo duriense que a Ilha dos Amores foi o palco de mais uma tragédia do lendário português. A saber.

Um lavrador, de tenra idade, apaixonou-se por uma mulher abastada, menina da fidalguia. Nem sequer passava por coisa rara de acontecer, mas aqui a novidade é que ela também se apaixonou por ele.

Os tempos eram outros, tempos onde nunca seria aceite que uma mulher de sangue azul pudesse desposar um plebeu, ainda por cima camponês. As tentativas de encontros sucediam-se, sempre mal vistos pelo pai da fidalga, até serem proibidos de vez, deixando ambos a chorar a saudade que sentiam um pelo outro.

Passados poucos meses, a mão da bela e rica mulher ficou entregue a um aristocrata. Não seria um casamento de amor, mas sim de conveniência, como era habitual na altura.

O camponês, roído de ciúmes, e tendo presente a ameaça de nunca mais poder ver a sua amada assim que se entregasse a outra pessoa, decidiu tomar medidas extremas: ao avistar o fidalgo a passear junto ao Douro, matou-o, atirando-o depois ao rio como forma de apagar qualquer indício de prova contra si.

Ainda assim, sabendo que seria o suspeito número um, decidiu esconder-se numa pequena ilha no Rio Douro, isolando-se do mundo e sofrendo pela ausência do seu amor. Ali ficou, por muito e bom tempo. Apercebendo-se de que nunca alguém o tinha descoberto, começou a engendrar um plano de trazer a fidalga consigo e ali viverem os dois para sempre.

Assim foi, e, saindo da ilha pela primeira vez em muitos dias, encontrou a sua amada convencendo-a a regressar consigo para tal local inóspito e secreto onde nunca seriam encontrados. Tomaram um barco para seguirem em direção ao pequeno ilhéu. A viagem seria curta, mas o inesperado aconteceu: do nada, levantou-se uma grande tormenta, e o rio, formando um vórtice, engoliu a barca onde os dois amores se encontravam.

Contou-se, depois, que se tratou do espírito do jovem fidalgo assassinado pelo camponês, que veio à superfície vingar a sua morte.

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