sábado, 29 de junho de 2019

Cabeço de Vide e as sua águas terapêuticas despertam a atenção da NASA


Em Cabeço de Vide nasce uma água diferente, única em Portugal e rara no mundo. As características ímpares da água despertaram a curiosidade da NASA. Uma equipa da agência espacial americana deslocou-se ao Alto Alentejo. Os cientistas acreditam que as rochas encontradas são semelhantes às de Marte e às de duas luas do sistema solar.


Cabeço de Vide é considerado “um laboratório natural porque tem um ambiente hidrogeológico e uma interação água-rocha que poderá ser em tudo semelhante à que ocorreu ou que decorre atualmente no planeta Marte” (Carla Rocha, investigadora)

As respostas para as grandes perguntas da Humanidade podem estar escondidas em todo o lado. Até (ou sobretudo) em Cabeço de Vide.

Uma água que faz bem à saúde
A água de Cabeço de Vide não está indicada para beber, salvo em pequenas quantidades e apenas por indicação médica, já que tem um pH de 11,5 e o limite para consumo humano situa-se nos 9,5. Tem, no entanto, propriedades terapêuticas – sobretudo associadas aos elevados níveis de enxofre – que resultam da sua interação com a pele e o sistema respiratório, e das quais é possível usufruir nas Termas da Sulfúrea, em Cabeço de Vide.





A água de Cabeço de Vide não está indicada para beber.

As suas indicações terapêuticas são, de acordo com os médicos hidrologistas e o site das Termas de Portugal, três: doenças crónicas e alérgicas das vias respiratórias superiores e inferiores, como a asma, sobretudo em crianças; patologias osteoarticulares e reumatismais crónicas, como as osteoartroses; e em doenças crónicas ou alérgicas de pele, como a psoríase ou o eczema.





As propriedades curativas da água sulfurosa e alcalina são conhecidas desde os romanos. Dois mil anos depois, as Termas da Sulfúrea tratam dezenas de doenças de pele, do aparelho respiratório e osteoarticular. O volumoso edifício no meio do campo é como um hospital sem químicos e com um único medicamento, a água. 


Cientistas da NASA no Alto Alentejo 


As rochas determinam o pH da água captada em profundidade. A química dos minerais em Cabeço de Vide é idêntica à encontrada no planeta Marte. A semelhança é tanta que despertou a curiosidade da NASA.


“As águas em Cabeço de Vide resultam da serpentinização. As rochas são desidratadas, são olivinas sem água. Estes são materiais que a NASA acredita existirem também noutros planetas”, diz o astrobiólogo da NASA, Steve Vance.



A serpentinização é um fenómeno químico que acontece quando uma rocha rica em magnésio e ferro é convertida em minerais de argila do grupo das serpentinas.
Os investigadores da agência espacial americana deslocaram-se três vezes a Portugal e acreditam poder ainda encontrar rochas semelhantes nas luas de Saturno e Júpiter.

As rochas são a chave para compreender a água e chegar mais longe. “Se tivermos água no estado líquido em Marte podemos ter água muito semelhante à que temos em Cabeço de Vide”.

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