quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Castelo de Vide, conhecida como a "Sintra do Alentejo”


Entre os lugares que fazem do Alentejo sinónimo de história e tradição, está Castelo de Vide, conhecida como a "Sintra do Alentejo”.  designação atribuída a D. Pedro V. Para esta denominação, contribuem os seus jardins, a vegetação luxuriante, o clima aprazível, assim como a proximidade da Serra de S. Mamede. Tudo isto lhe confere um cunho romântico. 

 Comece a sua viagem no tempo, com tempo. Explore a sua arquitectura, aprecie os solares oitocentistas e os jardins, os portais góticos, igrejas e a judiaria.



Pertencente ao concelho de Portalegre, Castelo de Vide terá recebido o primeiro foral em 1180 , concedido por Pedro Anes. Em 1276, nasce o concelho, separando-se de Marvão, mas só em 1310 viria a ganhar notoriedade, quando D. Dinis lhe concedeu foral e iniciou as obras do castelo e das muralhas. Mais tarde, D. Manuel I confirmaria o foral.

Na segunda metade do século XV, instalou-se em Castelo de Vide uma das mais numerosas comunidades judaicas de Portugal, presença ainda hoje assinalada pela judiaria e pela sinagoga, localizadas no velho casco medieval.

No século XVII, durante a Guerra da Restauração, a vila foi guarnecida com os muros e baluartes que ainda hoje a envolvem. À nova estrutura defensiva juntou-se, depois, o Forte de S. Roque, mandado construir em 1710.

Castelo de Vide foi, ao longo da primeira década do século XIX, cenário da guerra que, de forma intermitente, colocou em confronto os exércitos de Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Durante este período, milhares de militares daqueles países instalaram-se na vila e em todo o município.

As tradições são uma marca vincada nas raízes culturais dos castelovidenses. As festividades mais singulares, em particular pelos seus rituais, são as da Páscoa, em que as tradições católicas misturam-se com ritos de influência judaica. Na Sexta-feira Santa, destaca-se a procissão do Enterro do Senhor, no Sábado Aleluia, a bênção dos cordeiros, e, pela noite, o Aleluia. No Domingo de Páscoa celebra-se a procissão da Ressurreição do Senhor. Outras festas, como o Carnaval Trapalhão, o São João e a romaria de Nossa Senhora da Penha têm também uma forte expressão popular.




Casa do Arçário

É de tradição dizer-se que esta casa era do indivíduo que tinha a seu cargo e responsabilidade a arca (caixa forte) e é talvez daí que deriva o termo Arçário.

Na arca guardava as receitas provenientes das cobranças dos impostos que eram feitas aos judeus.

Fica situada no Arçário, dentro da zona da Judiaria.






Igreja de Nossa Senhora da Alegria

A igreja de N. S. da Alegria, fica situada no Burgo Medieval (Castelo) e foi ali construída no séc. XVII. O conjunto é composto por dois volumes: nave e capela-mor (estilo barroco) com sacristia, que fica ao lado. Todo o conjunto é pavimentado com tijolo, os materiais de alvenaria de pedra e cal rebocada e caiada de branco pelo exterior e revestida por azulejos policromos no interior da nave e capela-mor. A Igreja é coberta por uma telha portuguesa tipo mourisco.

A porta principal ladeada por duas janelas, voltada a Norte, é de grandes dimensões e a sua moldura é construída em pedra de granito de grão fino, na mesma prumada. Em cimo da porta há um nicho com a imagem de N. S. da Alegria em porcelana. Este é revestido de azulejo policromo, com a mesma largura da porta principal, formando com ela um conjunto harmonioso. Este termina com uma cruz do mesmo material na parte superior.



O povoamento do território do concelho de Castelo de Vide é bastante remoto. Há diversos sítios e monumentos arqueológicos a comprová-lo. A grande quantidade de elementos megalíticos existente atesta o desenvolvimento de comunidades locais e regionais durante os períodos Neolítico e Calcolítico. Foram também encontrados materiais que confirmam a presença do homem no período Paleolítico e, mais tarde, a ocupação romana e medieval.





Portas Ogivais

MEDIEVAL
Séc.s XIV e XV

Castelo de Vide apresenta um dos mais importantes e interessantes  conjuntos de portas ogivais actualmente existentes no País. Datando dos séc.s XIV e XV o seu número total é de sessenta e três. Essas portas encontram-se em muitas das ruas, principalmente na parte mais antiga do Centro Histórico, com grande aglomeração na Judiaria e Rua de  Santa Maria de Cima. Se algumas são simples portas ogivais, sem qualquer decoração, muitas apresentam-se decoradas tanto ao nível das  ogivas, como das impostas e ombreiras.
Como elementos decorativos são empregues as esferas, toros e caneluras, conjuntamente com arestas vivas e motivos vegetais. O peixe     aparece numa única porta do séc. XVI (Rua Nova), mas também há   estilizações do Sol e das estrelas (Penedo). 





Judiaria

Leis decretadas por alguns monarcas lusitanos no sentido de se criarem "Ghettos" próprios, onde só vivessem judeus, levou ao aparecimento de bairros, igualmente conhecidos pelo nome de "Judiarias".

Foi no séc XIV, que D. Pedro I aforava a Mestre Lourenço seu físico, provalmente judeu, uma terra em Castelo de Vide, sendo vários os documentos datados do século XV que testemunham a existência da comunidade judaica da vila.

Em Castelo de Vide a Judiaria desenvolveu-se na encosta da vila virada a nascente. Ainda que estabelecido numa das zonas mais acidentadas, o bairro era atravessado por um eixo fundamental de comunicação do castelo com o exterior e vice-versa. Da presença judaica em Castelo de Vide restam alguns testemunhos materiais em que assume especial relevância o edifício onde se julga ter funcionado a Sinagoga Medieval. Outros edifícios da Rua da Judiaria, da Rua da Fonte ou da Ruinha da Judiaria mostram ainda o que resta da tradição milenar judaica de marcar a sua fé nas ombreiras das portas.

O estabelecimento da Inquisição e a publicação do Édito de Expulsão dos judeus dos reinos de Espanha por Fernando e Isabel, os reis católicos, contribuíram para o crescimento da judiaria de Castelo de Vide que mantém na toponímia das suas ruas o testemunho da presença judaica, mas também o da perseguição do Santo Ofício aos cristão-novos.


Sinagoga

De quando a data da sua fundação, não se sabe ao certo, no entanto, já no séc. XIV existia uma judiaria em Castelo de Vide, que era constituída por um conjunto de casas construídas junto à porta principal do castelo.

A Sinagoga está situada na Rua da Judiaria / Rua da Fonte, o edifício orienta-se no sentido Este / Oeste.

Todo o conjunto é constituído por um só volume, com dois pisos.

Vulgarmente chamada "Sinagoga", mas com o nome apropriado de "BEIT-HA - MIDRASCH-SEFARDIN". No compartimento destinado ao culto, no seu interior, tem instalado o tabernáculo, com as respectivas cavidades destinadas às lamparinas dos "Santos Óleos" e ao lado direito desta peça, uma apoiaria as sagradas escrituras, em que na base estão implantadas sete bolas indicadoras dos seis dias em que Deus criou o mundo e do último dia, o sétimo, descanso da obra. No séc. XVIII sofreu obras de adaptação para residência. Foi reconstruída respeitando a traça primitiva em 1972.

Uma porta de acesso ao primeiro piso apresenta uma pequena concavidade que se chama a marca da MEZUZAH, palavra hebraica que significa "ombreira da porta". Esta concavidade destinava-se a guardar um estojo que continha um pequeno pergaminho em que se escreviam algumas das palavras do SHEMA, oração fundamental do culto judaico.

Todos as portas são em ogiva que arranca de impostas com arestas vivas, toros e caneluras.





Fonte da Vila


Classificado como IIP (Imóvel de Interesse Público) desde 1953, é o Ex-Líbris da Vila, constitui um monumento que se destaca entre outros, não só pelo seu valor artístico, como pelo conjunto arquitectónico e urbanístico em que está inserida. Situa-se em pleno Largo Dr. Frederico Laranjo.

Analisando-se a planta de delimitação do bairro judeu de Castelo de Vide, pode concluir-se que a fonte estava integrada no mesmo. Este existiu desde o séc. XIV ao séc. XV. A fonte foi um foco de desenvolvimento radial de ruas que se desenvolveram à sua volta, deduzindo-se que terá sido construída no séc. XVI, no reinado de D. João III, embora também seja provável que a sua construção seja de várias épocas, em que no início terá existido apenas uma nascente, inicialmente transformada numa pequena fonte de água potável, que no séc. XVI foi mandada construir.

A forma do tanque principal é rectangular e delimitado por lajes graníticas dispostas na vertical do qual saem seis colunas de mármore que sustentam uma cobertura piramidal que remata em pinha. Ao centro do tanque ergue-se um corpo discóide com quatro bicas simétricas e sobre este, um outro paralelepípedo, decorado com as Armas de Portugal, as do Concelho e com duas figuras de meninos. Este conjunto é rematado por uma pinha em forma de flor de acanto ou tulipa.

Ao lado possui um outro tanque, rectangular, destinado a animais bestas e cavalares.









Castelo

Feitas e desfeitas as fortificações medievais ao longo do séc. XIII, ao sabor dos interesses senhoriais que quase sempre, brigavam com os interesses da coroa e também com os da população, que preferia ter como senhor o longínquo rei, levanta-se definitivamente o castelo, por iniciativa de D. Dinis, concluindo-se já no reinado de seu filho, Afonso IV, em 1327. Foi assim que Vide passou a Castelo de Vide.

O castelo situa-se no canto S das fortificações medievais, que integram o primitivo burgo, constituindo as suas muralhas o prolongamento das da cerca urbana.

Os muros desenham um polígono ligeiramente trapezoidal que apresenta a Torre de Menagem, de secção rectangular, no ângulo S, e, no tramo NO um cubelo que flanqueava o ângulo N do primitivo pátio.

Desaparecida a antiga muralha do tramo NE do pátio, a que agora o conforma por esse lado corresponde à da antiga barbacã nesse sector, apresentado ainda o poço que aparece desenhado na planta de Duarte D´Armas. Entre este poço e o cubelo que lhe está adjacente, abre-se a antiga porta, de arco quebrado, a dar para a antiga barbacã desse lado, entretanto desaparecida.

A entrada para o castelo faz-se pelo tramo SE, com barbacã, através de porta em arco quebrado que dá acesso a um túnel que desemboca no pátio
A Torre de Menagem, maciça até ao nível do adarve, apresenta uma sala de planta octogonal com aljube cilíndrico descentrado, grandes janelas rectangulares e oito pilares, com base e capitel, de que arrancam as nervuras, de secção rectangular chanfrada, que fecham o tecto em arcos redondos.
A cerca urbana desenha um polígono grosseiramente pentagonal com inflexões da muralha na zona O. As Portas da Vila, desalinhadas e em arcos quebrados, situam-se a SE, dando acesso à Rua Direita. Esta atravessa o velho burgo para sair no tramo oposto pelas Portas de São Pedro, também desalinhadas mas em arcos redondos. Uma rua perpendicular a esta dá acesso a duas portas secundárias, com arcos redondos, que se encontram emparedadas nos tramos SO e NE; este último tramo é flanqueado por dois cubelos.

Os materias básicos visíveis, empregues em todas as fortificações, são a pedra (quartzito e granito), o tijolo, a argamassa de cal e a terra.
A Torre de Menagem apresentou-se esventrada durante muitos anos em resultado da explosão que a mutilou no ano de 1705, quando os espanhóis a ocuparam. Mais tarde com o terramoto de 1755 voltou a sofrer danos.
Após várias intervenções, as obras de reconstrução da torre, foram dadas como concluídas em 1978.

Está protegido como Monumento Nacional desde o Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910.












Feiras, Romarias e Mercados

Mercados Municipais

Mercados Semanais - 1.ª, 2,ª e 3.ª Sexta-feira de cada mês
Mercado Franco - última Sexta-feira de cada mês
Mercado Póvoa e Meadas - Quartas-Feiras e Domingos

Feiras e Romarias


15 de Janeiro - Feira de Santo Amaro - Religiosa
Fevereiro/Março - Carnaval Trapalhão - Popular
19 de Março - Romaria de São José - Religiosa
Abril - Feira de Ramos - Religiosa
Março/Abril - Sexta-Feira Santa - Semana Santa - Religiosa
Março/Abril - Sábado de Aleluia - Semana Santa - Religiosa
Março/Abril - Domingo de Páscoa - Semana Santa - Religiosa
Março/Abril - Feira do Livro - Semana Santa - Cultural
Março/Abril - Feriado Municipal / Romaria de Nª Srª da Luz - 2ª feira após o Domingo de Páscoa - Religiosa
Maio/Junho - Romaria de Nª Srª da Alegria (último Domingo de Maio ou primeiro Domingo de Junho) - Popular / Religiosa
13 Junho - Festa de Santo António da Ribeira - Popular / Religiosa
24 Junho - Festa de S. João Batista - Popular / Religiosa
29 Junho - Festa de S. Pedro - Popular / Religiosa
Julho - Festa de Nª Srª do Carmo (domingo mais próximo do 16 de Julho) - Religiosa *
Agosto - Romaria à Nª Srª da Penha (domingo mais próximo do 5 de Agosto) - Popular / Religiosa
10 Agosto - Feira de S. Lourenço - Religiosa
11 Agosto - Aniversário dos Bombeiros - Histórica
15 de Agosto - Festa de Santa Maria - Popular
16 de Agosto - Festa de São Roque - Religiosa *
Agosto (durante as Festas de Santa Maria) - Festival de Folclore - Popular
21 de Agosto - Aniversário da Banda União Artística - Histórica
Agosto - Póvoa e Meadas- Festival de Folclore - Popular
13, 14 e 15 de Setembro - Festa de São Vicente Ferrer - Popular / Religiosa *
Setembro ( 1º Fim de Semana) - Feira Medieval - Histórica / Popular
11 de Novembro (Póvoa e Meadas) - S. Martinho - Religiosa

*a sua realização está dependente da existência, de uma comissão responsável pela organização




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