sábado, 10 de novembro de 2018

Miradouro de S. Leonardo de Galafura - Dizem que é uma das paisagens mais belas do mundo



O miradouro de S. Leonardo de Galafura é um dos mais encantadores do Douro. Em primeiro lugar, devido à paisagem. Tem uma vista sublime sobre o Douro. Depois, porque foi tema da obra de Miguel Torga que escreveu, num dos seus Diários, que do miradouro "não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza".






O Miradouro de São Leonardo da Galafura, na freguesia de Galafura, a meio caminho entre a Régua e Vila Real oferece um dos mais extraordinários panoramas sobre o rio Douro e os socalcos. Em baixo, o Douro corre azul e sereno, beijando as margens, as quintas e as casas solarengas.



Situa-se perto de Covelinhas, a meio do caminho do Peso da Régua para Vila Real.Os acessos são feitos pela EN 313, EM 313.2, no sentido Régua Stº. Xisto, Vila Seca de Poiares, lugar da Estrada e Galafura. Ou EN 313.1, Vila Real, Abaças, Guiães, Bujões e lugar da Estrada até Galafura. No espaço contiguo tem um belo parque de merendas, onde se realiza um grande piquenique ao santo no terceiro domingo de Agosto pela população local.







Foi local amado por Miguel Torga, poeta tantas vezes indigitado para o Prémio Nobel. Dizia ele que São Leonardo era como um barco de quilha para o ar, que a Natureza voltara a meio do vale.


À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.


Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.


Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!(1)



(1). Miguel Torga, in Diário IX

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