terça-feira, 4 de junho de 2019

Chega o tempo delas e ninguém lhes resiste. A cereja do Fundão é na categoria dos frutos considerada um ex libris nacional. Carnuda e doce não falta quem a procure.



Cereja, fruto paixão do Fundão

Carnuda e doce, sempre aos pares, a fama da cereja do Fundão não é infundada. A Serra da Gardunha encarregou-se de criar condições especialmente favoráveis para a sua agricultura, com solos ricos em potássico e clima frio. Inegavelmente, é isto que dá um sabor especial à fruta aqui produzida.

Uma visita aos pomares da Cova da Beira é passeio que deve fazer pelo menos uma vez na vida. Além do paladar, esta é uma fruta que pode ser também apreciada com a visão. Espreite os campos à sombra da Serra plenos de cor a meio da Primavera enquanto os camponeses circulam por estas estradas, absortos na tarefa ancestral de extrair tal riqueza da terra.

Este vermelho forte irá chegar, de seguida, às nossas mesas mas a tradição já não é bem aquilo que era. Os últimos anos foram de crescimento e, inevitavelmente, houve quem se lembrasse de confecionar cerejas de novas e inovadoras formas. Alguns exemplos recém-chegados, ou recuperados, incluem gambas flamejadas com cereja, bacalhau com crosta de cereja e broa, peito de pato com cerejas salteadas, tigelada de cereja, arroz doce de cereja… Haja imaginação que o “fruto da paixão” parece adaptar-se a tudo. Mas este não é fenómeno novo. Na Serra da Gardunha a necessidade aguçou o engenho e não se desperdiça nada. Inesperadamente, até os caroços enchem almofadas e os pés da fruta seguem para o chá.


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